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A película do Civic do lote 22 travou a vistoria
O medidor marcou 18% de luz no vidro lateral, e a Resolução 254 do Contran exige 70% para liberar a transferência.
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O vidro escuro que o medidor reprovou
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Uma película de poliéster de 50 micrômetros (cinco centésimos de milímetro), cor fumê, colada por dentro do vidro da porta do motorista de um Honda Civic EXL 2018 prata. Deixava passar 18% da luz do dia, e bastou para segurar a transferência do carro no Detran de Goiás.
O Civic era o lote 22 de um leilão de pátio em Goiânia. O arrematante, um mecânico de Aparecida de Goiânia, pagou R$ 58 mil no lance, quitou a comissão e levou o sedã para a vistoria de transferência com o recibo do leiloeiro no porta-luvas.
O vistoriador encostou um medidor de transmitância luminosa (o aparelho que mede quanto da luz atravessa o vidro) no lateral dianteiro. O visor marcou 18. No para-brisa, coberto por uma película mais clara, marcou 41.
O laudo saiu reprovado. Placa, chassi, motor e papelada estavam em ordem; o único item vermelho da ficha era o vidro.
A regra vem da Resolução 254 do Contran (o Conselho Nacional de Trânsito), de 2007. Ela exige que pelo menos 75% da luz atravesse o para-brisa e 70% os vidros laterais dianteiros. Nos vidros que não interferem na visão do motorista, como o traseiro e os laterais de trás, o piso cai para 28%.
O índice vale para o conjunto vidro mais película. Vidro de fábrica já segura uma parte da luz, e a película soma o bloqueio dela ao que o vidro barrava sozinho.
O edital do lote 22 mostrava o Civic de frente, sob o sol, com os vidros pretos brilhando. A cláusula de praxe jogava a regularização para o arrematante, e ninguém pôs o custo da película na conta do lance.
Vale acompanhar o Civic do pátio até a segunda vistoria, somar o que a película acrescentou ao preço do lote e montar a agenda que evita a reprovação.
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I Pátio do Dia
O Civic fumê do lote 22
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Dezoito por cento de luz no vidro lateral seguraram a placa do Civic no guichê.
O Honda Civic EXL 2018 do lote 22 foi recolhido a um pátio credenciado do Detran de Goiás numa fiscalização de rotina em Goiânia. Os agentes anotaram o licenciamento atrasado e, no mesmo auto, a infração pela película escura.
O dono não quitou os débitos nem retirou o carro nos 60 dias do artigo 328 do Código de Trânsito, e o Civic entrou na lista do leilão. O edital trazia 12 fotos, a relação de débitos e a classificação de veículo conservado (o que pode voltar a rodar com documento novo).
Como o vidro escureceu
A película dos laterais era de uma linha vendida como G20, código do mercado de insulfilm (o nome popular da película automotiva) para o filme que deixa passar cerca de 20% da luz. Colada sobre o vidro verde de fábrica, que já retém uma fatia da claridade, o conjunto caiu para 18.
No traseiro e nos laterais de trás, o aparelho marcou os mesmos 18, abaixo dos 28% que a norma aceita ali. No para-brisa, a película G50 derrubou o conjunto para 41, longe dos 75 exigidos.
A transmitância que o Detran mede é a do vidro somado à película, então o código impresso na embalagem do filme nunca bate com a medição do laudo.
O Código de Trânsito trata o vidro escuro fora da norma como infração de quem dirige:
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"Conduzir o veículo com vidros total ou parcialmente cobertos por películas refletivas ou não, painéis decorativos ou pinturas."
Código de Trânsito Brasileiro, artigo 230, inciso XVI, Lei 9.503, de 1997
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A infração é grave: 5 pontos na carteira, multa de R$ 195,23 e retenção do veículo até a regularização. Para o arrematante, a pena aparece no guichê, porque o carro não muda de dono enquanto o laudo apontar o vidro.
O mecânico mandou arrancar todas as películas numa loja de Goiânia e voltou à vistoria nove dias depois. O medidor marcou 84 no lateral dianteiro e 83 no para-brisa. O laudo saiu aprovado e o Civic recebeu a placa no nome dele.
A vistoria de transferência em Goiás é feita por empresa credenciada pelo Detran, que fotografa cada item e manda o laudo direto ao sistema do órgão. O reprovado fica registrado na ficha do carro, e a segunda tentativa exige agendamento novo e taxa nova.
Nos nove dias entre as duas vistorias, o Civic ficou parado na garagem do mecânico. O licenciamento seguia registrado para o dono antigo, e os vidros continuaram escuros até a data livre na agenda da loja.
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II A Conta do Documento
O que a película custou ao lote
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A multa da blitz ficou com o dono antigo. Os débitos anteriores ao pregão saem do dinheiro arrecadado no leilão, na ordem que o artigo 328 do Código de Trânsito define, e o arrematante recebe o carro livre deles.
A conta da película chega por outra porta: vistoria repetida, serviço de remoção e dias com o carro parado na garagem, sem documento para rodar.
Quanto custou tirar o vidro escuro
A conta do lote 22, com as notas que o arrematante guardou:
| 1. Lance vencedor | R$ 58.000 |
| 2. Comissão do leiloeiro, 5% | R$ 2.900 |
| 3. Primeira vistoria, reprovada | R$ 190 |
| 4. Remoção das películas e limpeza da cola | R$ 280 |
| 5. Segunda vistoria, aprovada | R$ 190 |
| 6. Reparo do desembaçador traseiro | R$ 420 |
A remoção em si custou pouco. O estrago veio no vidro de trás: a película velha tinha grudado nas linhas do desembaçador (os filamentos elétricos que aquecem o vidro), e a espátula cortou três delas.
Somados, os itens 4 a 6 acrescentaram R$ 890 ao lote, e nenhum deles estava no edital.
Os seis itens somam R$ 61.980. A primeira vistoria entraria na conta com ou sem película; o vidro escuro respondeu pela segunda, pela remoção e pelo reparo.
A Resolução 254 não proíbe a película. Ela aceita o filme quando o conjunto medido fica acima dos pisos e quando cada película traz a chancela (a marca gravada no próprio filme, que não sai com limpeza) com a identificação do instalador e o índice de transmitância.
O para-brisa limpo do Civic marcou 83. Sobram 8 pontos até os 75 da norma, e qualquer película além da quase transparente derruba o conjunto para baixo do piso. Por essa razão, a loja de Goiânia recusou aplicar filme novo na frente.
Nos laterais dianteiros, o vidro limpo deu 84. Uma película vendida como G80, a mais clara das linhas comuns, levaria o conjunto para perto de 67 pela multiplicação dos dois índices, e reprovaria de novo.
O arrematante preferiu rodar com todos os vidros limpos. O custo de ficar com o carro claro foi zero; o de insistir na película seria uma terceira vistoria.
Em outros estados, a tabela da vistoria muda de valor, mas a conta segue a mesma lógica: cada reprovação cobra taxa nova, e a remoção sai por preço parecido nas lojas do ramo.
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