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Todo veículo registrado no Brasil tem uma ficha no Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), o cadastro nacional que o Detran de cada estado alimenta. Nela ficam marca, modelo, ano, cor, combustível, espécie, tipo e carroceria.
A carroceria é a parte que leva a carga, e o campo descreve a forma dela: aberta, furgão, baú, basculante, tanque. Quando uma oficina transforma um furgão em baú frigorífico, o campo muda, e o Detran registra a troca como alteração de característica.
O registro acompanha o veículo em toda venda seguinte. O documento impresso, a consulta pela placa e a ficha que o leiloeiro monta saem do mesmo cadastro, e nenhum deles enxerga o que foi desparafusado depois que o Detran anotou a transformação.
O que a lei manda
A regra vem do Código de Trânsito Brasileiro, e o artigo 98 diz em uma frase quem decide a mudança:
“Nenhum proprietário ou responsável poderá, sem prévia autorização da autoridade competente, fazer ou ordenar que sejam feitas no veículo modificações de suas características de fábrica.” (Código de Trânsito Brasileiro, Lei 9.503, artigo 98, 1997)
A autorização vale nos dois sentidos. Colocar o frio exigiu pedido ao Detran, e tirar o frio também exige, mesmo que o aparelho já tenha sumido antes da chegada do lote ao pátio.
O artigo 230 do mesmo código lista como infração grave conduzir veículo com característica alterada. A multa vem com retenção do veículo até a regularização, e o fiscal na blitz compara o documento com o que vê na traseira aberta.
Por que a ficha não bate
O leiloeiro monta a ficha a partir do documento que recebe do dono do bem. Se o documento diz baú frigorífico, a ficha repete, e a cláusula do edital (o regulamento do pregão) que vende o lote no estado em que se encontra passa ao arrematante o trabalho de acertar a descrição.
Para Rogério, o desencontro tinha dois caminhos. Reinstalar aparelho e painéis para o veículo voltar a ser o que o papel dizia, ou pedir ao Detran a alteração de volta para furgão.
O orçamento dos dois caminhos
O despachante e uma oficina de refrigeração de Betim cotaram as duas saídas:
• Aparelho de frio novo instalado: R$ 21.000
• Painéis isolantes e porta: R$ 14.500
• Remoção dos restos de espuma: R$ 1.900
• Vedação dos 4 furos do teto: R$ 650
• Taxas e despachante da alteração: R$ 1.450
Reinstalar o frio somava R$ 35.500 e deixava Rogério com um equipamento que ele não usaria. Voltar a furgão somava R$ 4.000.
Com o lance, a comissão de 5% da leiloeira (R$ 3.200) e o IPVA atrasado de R$ 2.380, o furgão custou R$ 73.580 até a primeira entrega. Contra os R$ 118.000 da revenda, sobraram R$ 44.420.
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