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Sete movimentos separam a curiosidade no catálogo de um arremate bem calculado. Todos acontecem antes do pregão, e cada um elimina um risco específico.
1. Encontre o edital no site oficial do órgão de trânsito. Leilão de pátio é publicado pelo Detran ou pela prefeitura, com leiloeiro credenciado nomeado. Catálogo que circula por rede social sem link para a publicação oficial não serve como fonte.
2. Confirme a categoria do lote antes de qualquer conta. Circulação e sucata aparecem no mesmo catálogo, às vezes na mesma página. Sucata não volta a circular, e o preço atraente costuma ser exatamente o do lote que nunca sairá do desmonte.
3. Leia a cláusula de responsabilidade por débitos, palavra por palavra. Procure os termos débitos anteriores, débitos posteriores, multas e tributos. Anote a data de corte declarada, porque é ela que separa o que fica com o órgão do que vem com você.
4. Peça a consulta de restrições pelo chassi. A placa pode estar ilegível ou removida. Restrição judicial, alienação pendente ou registro de roubo aparecem na consulta e valem mais que qualquer foto do catálogo.
5. Vá à visitação com lanterna, ímã e um cabo de partida. Você não pode ligar o carro, mas pode ver nível de óleo, cor do fluido, folga de suspensão, sinal de enchente na carpete e estado do chicote elétrico atrás da bateria.
6. Orce a reanimação antes do lance, não depois. Bateria nova, quatro pneus, troca de todos os fluidos, filtro, correia e limpeza de tanque formam um pacote básico que raramente sai por menos de dois mil e quinhentos reais num carro popular parado há meses.
7. Defina o teto e escreva o número num papel. Valor do lote mais comissão de 5%, mais taxa administrativa da casa, mais débito declarado, mais regularização, mais reanimação. O total precisa ficar abaixo do preço de revenda com margem, e não igual a ele.
O erro mais comum nesse tipo de leilão é comprar o desconto em vez do carro. Um lote a trinta por cento da tabela parece imbatível até a soma das seis linhas anteriores empurrar o custo final para noventa por cento, com um veículo que passou meses ao relento e nenhuma garantia de nada.
Vale também observar a repetição de lotes entre um pregão e outro. Veículo que aparece em três leilões seguidos sem venda quase sempre carrega um problema documental que a foto não mostra, e o desconto crescente é o sintoma, não a oportunidade.
Outro ponto que passa despercebido é o prazo de retirada do veículo arrematado. O mesmo pátio que cobrava diária do antigo dono continua cobrando do novo, e a contagem recomeça poucos dias depois do pagamento. Guincho contratado com antecedência evita que o arremate barato ganhe uma segunda conta de estadia.
Quem trata leilão de pátio como liquidação de passivo público, e não como loja de carro barato, chega ao pregão com edital lido, chassi consultado e teto escrito. O lote continua sendo uma aposta, mas passa a ser uma aposta com o tamanho conhecido.
"Você já leu a cláusula de débitos do último edital que abriu?"
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