|
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
O cilindro de GNV traz a própria validade gravada
O lote com kit a gás só passa na vistoria com selo do Inmetro e certificado em dia, e o aço do cilindro diz a data da última requalificação.
|
A data que o aço do cilindro entrega
|
| ▼ |
| |
|
Um sedã prata parado na fila 7 de um pátio de leilão traz no porta-malas um cilindro de aço sem costura, uns 80 centímetros de comprimento por 26 de diâmetro, preso ao assoalho por duas cintas metálicas e dois parafusos passantes. Na ogiva, gravadas a frio no próprio aço, aparecem letras e números pequenos: fabricante, número de série, pressão de ensaio em bar, mês e ano de fabricação e, logo ao lado, o mês e o ano da última requalificação. A marcação mais recente ali diz 03/2021.
Essa gravação vale mais para o comprador do que a foto do motor. O cilindro de gás natural veicular carrega no metal o próprio calendário de inspeção, e o prazo de requalificação, ensaio periódico que verifica corrosão, trincas e resistência à pressão, corre a cada cinco anos. Passado o prazo, o conjunto deixa de estar apto a ser abastecido, e nenhum posto de GNV é obrigado a encher um cilindro fora de validade.
Um kit a gás também muda a natureza documental do veículo. Instalar cilindro, redutor de pressão, tubulação de alta e comutador altera característica de fábrica, e alteração de característica cobra autorização do órgão de trânsito, inspeção em oficina de engenharia credenciada e anotação no registro. O veículo regularizado circula com a sigla GNV e a capacidade do cilindro impressas no campo de observações do documento.
O anúncio do lote raramente entra nesse detalhe. A ficha informa marca, modelo, ano, avaliação e a linha kit GNV instalado, sem dizer se o kit está legalizado, sem dizer a data gravada no cilindro e sem dizer quantos anos de vida útil ainda restam ao aço. Quem arremata herda os dois lados: a economia de combustível que o gás promete e a fila de papel que o Estado exige para liberar a placa.
Vale abrir a gravação do aço letra por letra, somar o custo do certificado e montar o roteiro de conferência que se faz no pátio, com lanterna na mão, antes de registrar lance num carro convertido.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I Pátio do Dia
O aço que carrega o próprio calendário
|
|
A data da última requalificação vem gravada a frio no aço do cilindro.
O cilindro de GNV é um vaso de pressão. Ele armazena gás natural comprimido a 200 bar em serviço, pressão que faz o equipamento ser tratado por norma técnica própria, com regras de fabricação, de instalação e de inspeção periódica. A ABNT NBR 12790, norma brasileira que trata dos cilindros de aço para armazenamento de GNV a bordo de veículos, define a marcação permanente e o intervalo de requalificação de cinco anos.
A gravação na ogiva não é decorativa: ela substitui qualquer certificado de papel que se perca no caminho, porque o aço carrega fabricante, número de série, pressão de ensaio, data de fabricação e data da última requalificação, tudo em baixo relevo. Cilindro lixado, pintado por cima da gravação ou com a marcação ilegível vale como cilindro sem identidade, e sem identidade não existe requalificação possível.
A leitura dessa gravação resolve três perguntas de uma vez. Quantos anos o cilindro tem de fábrica, quando ele foi inspecionado pela última vez e quando vence a inspeção seguinte. Um cilindro fabricado em 2009 e requalificado em março de 2021 estava vencido em março de 2026, o que significa aço parado no porta-malas sem direito a abastecimento.
O que a requalificação examina no cilindro
O ensaio periódico tira o cilindro do carro. A empresa credenciada despressuriza o equipamento, remove as válvulas, faz inspeção visual externa e interna com boroscópio, mede espessura de parede, procura corrosão por pite e trinca de boca de rosca, e submete o corpo ao teste hidrostático, enchimento com água sob pressão superior à de serviço para medir a deformação permanente do aço.
Cilindro aprovado recebe nova gravação e volta ao veículo. Cilindro reprovado é inutilizado na hora, furado ou cortado, para impedir que volte ao mercado por baixo do pano. Quem compra lote de leilão com cilindro antigo assume o risco de pagar o ensaio e receber de volta um pedaço de aço destruído, com a conta do serviço paga do mesmo jeito.
|
"Nenhum proprietário poderá, sem prévia autorização da autoridade competente, fazer ou ordenar que sejam feitas no veículo modificações de suas características de fábrica."
> Código de Trânsito Brasileiro, Lei 9.503, artigo 98, 1997
|
A vida útil do cilindro também tem teto. Cada equipamento nasce com prazo máximo de utilização definido pela norma sob a qual foi fabricado, número que aparece na própria marcação junto da data de fabricação. Atingido o teto, nenhuma requalificação renova o direito de uso, e o destino do cilindro passa a ser a inutilização.
Existe ainda o lote com kit clandestino, montado em oficina de fundo de quintal e nunca declarado ao órgão de trânsito. O carro roda a gás, o proprietário economiza no posto e o documento segue mudo, sem a anotação de alteração de característica. No pátio de leilão, esse carro chega com tubulação de cobre aparente, comutador colado no painel e nenhum papel que prove a origem do serviço.
O arrematante de um kit clandestino tem duas saídas, e as duas custam dinheiro. Regularizar a instalação inteira, com inspeção e certificado, ou desinstalar o conjunto e apresentar o veículo ao Detran na configuração original de fábrica. A escolha depende do estado do cilindro gravado no aço, e a conferência dessa gravação acontece na visitação, nunca depois do martelo.
|
|
|
|
|
II A Conta do Documento
O que o selo cobra depois do lance
|
|
Regularizar um veículo com kit GNV segue uma ordem fixa, e cada etapa depende do carimbo da anterior. Primeiro a instalação executada por oficina credenciada, com componentes que tenham selo do Inmetro. Depois a inspeção de segurança veicular, feita por instituição técnica licenciada. Por último a anotação no cadastro do veículo, no Detran.
Componente sem selo do Inmetro reprova a inspeção inteira, porque cilindro, válvula, redutor de pressão, tubulação de alta e reguladores entram no regime de certificação compulsória, e o inspetor confere marca, modelo e número de série de cada peça contra a nota fiscal da instalação. Redutor comprado usado em feira de autopeças, sem nota e sem selo, derruba o processo na primeira meia hora.
O Certificado de Segurança Veicular do kit a gás sai da ITL, a Instituição Técnica Licenciada, oficina de engenharia credenciada pelo Inmetro para atestar que a conversão respeita o projeto e as normas. O documento tem validade própria e caminha junto do prazo do cilindro, de modo que certificado vencido e cilindro vencido travam a mesma vistoria.
A sequência que leva um lote convertido do pátio até o documento com a sigla GNV no campo de observações:
| 1. Leitura da gravação do cilindro | conferir fabricante, série, data de fabricação, última requalificação e prazo máximo de utilização |
| 2. Requalificação em empresa credenciada | despressurização, inspeção interna, medição de espessura e teste hidrostático, com nova gravação em caso de aprovação |
| 3. Revisão da instalação | substituição de tubulação, mangueira e válvula fora de especificação por peça com selo do Inmetro e nota fiscal |
| 4. Certificado de Segurança Veicular | inspeção na ITL credenciada, com relatório fotográfico do conjunto instalado |
| 5. Vistoria no Detran | conferência de chassi, motor, etiquetas e do conjunto a gás montado no veículo |
| 6. Anotação no CRV e no CRLV | registro da alteração de característica com a sigla do combustível e a capacidade do cilindro |
O segundo item costuma ser subestimado por quem nunca acompanhou um ensaio. O serviço tira o cilindro do carro, ocupa a agenda da empresa credenciada por dias e pode terminar em reprovação, o que devolve ao comprador um carro sem cilindro e um orçamento novo para comprar outro equipamento certificado.
O quarto item é o gargalo do calendário. ITL credenciada não existe em toda cidade, a agenda trabalha com fila e uma reprovação obriga a corrigir o serviço e marcar de novo. Somar o valor do lance com o valor do ensaio, do certificado e da taxa de alteração de característica é o mínimo antes de dar o primeiro lance num carro convertido.
O efeito de revenda também pesa na conta. Carro com kit a gás regularizado encontra comprador entre motoristas de aplicativo e frotistas urbanos, que rodam quilometragem alta e enxergam retorno no combustível mais barato. Carro com kit clandestino, cilindro vencido ou documento mudo perde esse comprador e vai parar na faixa do preço de sucata mecânica.
|
| |
|