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Um salvado arrematado percorre um caminho de documento que nenhum outro lote de leilão percorre. Cinco etapas separam o arremate da placa rodando de novo.
1. Confirme a classificação do lote antes de qualquer lance. Sucata não volta a circular em hipótese nenhuma, e o comprador só pode vender as peças a desmanche credenciado. Comprar sucata pensando em reconstruir é o erro que transforma um lote barato em ferro parado no quintal.
2. Consulte a marcação do chassi na base do órgão de trânsito. O registro de sinistro de grande monta já pode constar antes mesmo do leilão, porque a companhia é obrigada a comunicar a ocorrência. A consulta é pública, custa pouco e diz o que a foto do lote esconde.
3. Exija a nota fiscal de venda do salvado emitida pela seguradora. Ela é o documento que prova a origem do veículo e sem ela a transferência trava. Confira se o número do chassi na nota bate com o do carro na visitação, dígito por dígito.
4. Orce a vistoria de segurança veicular antes de comprar a peça. O laudo que libera a volta do carro reconstruído exige nota fiscal de cada peça estrutural trocada e inspeção em entidade credenciada. Peça comprada em desmanche sem nota inviabiliza o laudo inteiro.
5. Reserve prazo para a baixa e a nova expedição do documento. Entre o arremate e o documento novo em mãos costumam correr semanas de processo. O carro fica sem poder circular durante o intervalo, e o custo de guarda corre em paralelo.
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"O proprietário deverá comunicar ao órgão executivo de trânsito a transferência de propriedade no prazo de trinta dias, sob pena de responder solidariamente pelas penalidades impostas."
> Lei 9.503, art. 134, 1997
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O erro mais caro em salvado é confundir avaria de lataria com avaria de estrutura. Painel dianteiro amassado, longarina torcida e coluna deformada mudam o carro de categoria e mudam o orçamento de reconstrução por um fator que nenhuma foto de anúncio entrega.
O segundo erro é subestimar o alagamento. Carro que passou por enchente entra no pregão com lataria perfeita e com chicote elétrico condenado, e a falha aparece meses depois, módulo por módulo, sem qualquer ponto de parada previsível.
O terceiro erro é comprar salvado com airbag disparado sem orçar o conjunto inteiro. Bolsa, pré-tensionador de cinto, sensores de impacto e módulo de controle formam um sistema que precisa ser reposto por completo para o laudo passar, e o valor da reposição costuma superar o próprio lance.
Quem compra bem um salvado chega ao pregão com a classificação conferida, o chassi consultado, o orçamento de reconstrução fechado e o preço de revenda do carro marcado já descontado. O número que sobra é o teto, e ele não sobe porque outro participante levantou a placa.
"Você consultaria a marcação do chassi antes do lance?"
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