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Seis movimentos separam a proposta calculada da espera cega. Todos acontecem antes do martelo, e cada um encurta o tempo em que seu dinheiro fica fora do jogo.
1. Procure a cláusula de lance condicional no edital antes do catálogo. Ela aparece com títulos como venda condicionada, aprovação do comitente ou homologação. Edital que não trata do assunto costuma ser de venda direta com mínimo público, e aí a regra é outra.
2. Anote os dois prazos, decisão e estorno, lado a lado. Some os dois e trate o resultado como o custo de oportunidade real do lance. Se a soma passar de trinta dias e seu caixa for único, o lote precisa de desconto maior pra compensar.
3. Confirme se comissão e taxa voltam integralmente na recusa. Peça por escrito quando o edital for vago. A diferença entre estorno integral e retenção da taxa muda o piso do que vale a pena propor.
4. Estime o mínimo pelo comportamento do próprio comitente. Financeira grande costuma cadastrar entre setenta e oitenta por cento da tabela em veículo de retomada recente, e bem menos em carro parado há meses. Acompanhar dois ou três pregões da mesma casa mostra o padrão sem que ninguém conte.
5. Decida o teto da contraproposta antes de lançar. Escreva um segundo número, o máximo que você cobre se a leiloeira ligar pedindo mais. Sem esse número definido no frio, a decisão sai no calor de um telefonema com prazo de horas.
6. Fracione o capital entre pregões diferentes. Quem lança condicional em dois leilões da mesma semana com o caixa inteiro descobre que arrematou os dois e não pode pagar nenhum. Proposta condicional é compromisso firme do seu lado, não reserva.
O erro mais comum é tratar lance condicional como aposta grátis. A lógica de que a proposta pode ser recusada e nada acontece ignora que o pagamento sai antes da resposta, e que o tempo do dinheiro parado tem preço mesmo quando ele volta inteiro.
Vale observar também o histórico do lote dentro do próprio catálogo. Veículo que aparece com etiqueta de segunda praça já teve lance condicional recusado antes, e o mínimo do comitente costuma cair entre uma praça e outra. Chegar na segunda passada, com o padrão medido, é mais barato que disputar a primeira.
Outro detalhe que muda a conta é a data do pregão dentro do mês. Comitente que precisa fechar balanço tende a aceitar condicional na última semana do trimestre, quando a baixa contábil vale mais que a diferença de preço. O mesmo lance recusado em maio passa em junho.
Quem trata a condição como o que ela é, uma proposta formal com dinheiro adiantado e resposta alheia, entra no pregão com os dois prazos somados, o teto da contraproposta escrito e o caixa dividido. O lote continua incerto, mas a espera passa a ter tamanho.
"Você já esperou o comitente decidir com o dinheiro preso na leiloeira?"
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