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Um Gol prata, uma nota apagada pela umidade e uma linha escrita num livro de 1932.
O arrematante do lote 18 foi Rafael Duarte Moreira, motorista de aplicativo em Sorocaba. Ele procurava um carro barato para trabalhar e achou o Gol no edital do leiloeiro, com lance mínimo de R$ 9.800.
Rafael foi à visitação, conferiu o motor e o estado dos pneus e decidiu dar lance pela internet. Ganhou com R$ 14.200, depois de disputar os últimos dois minutos com outro usuário do portal.
Dois anos mais tarde, com a nota apagada na mão e o professor fora do negócio, Rafael ligou para o escritório do leiloeiro. Contou o caso e perguntou se havia como provar a compra.
A atendente pediu a data do pregão e o número do lote. Em dez minutos, achou o registro: lote 18, Gol prata 2012, chassi conferido, R$ 14.200, arrematante Rafael Duarte Moreira, com o CPF completo.
A lei que mandou anotar tudo
O registro existe por causa do Decreto 21.981, assinado por Getúlio Vargas em outubro de 1932. É o regulamento da profissão de leiloeiro oficial, e boa parte dele segue valendo até hoje.
O artigo 31 lista os livros que o leiloeiro precisa manter:
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"Os leiloeiros são obrigados a ter os seguintes livros: Diário de Entrada, Diário de Saída, Contas Correntes, Protocolo, Diário de Leilões e Livro Talão."
Decreto 21.981, de 19 de outubro de 1932, artigo 31
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O Diário de Entrada registra cada bem que chega às mãos do leiloeiro para ser vendido, com a data e o nome de quem entregou. No caso do Gol, a linha de entrada mostra o carro recebido do pátio credenciado, por ordem do Detran.
O Diário de Saída registra o bem que deixa a guarda do leiloeiro depois de vendido. O Diário de Leilões é o centro de tudo: anota, lote por lote, o que foi vendido em cada pregão, por quanto e para quem.
Os outros três completam o rastro do dinheiro. Contas Correntes registra o que cada cliente pagou e recebeu, Protocolo anota os papéis que entram e saem do escritório, e o Livro Talão guarda a segunda via de cada nota emitida no pregão.
Cada lote vendido por leiloeiro oficial deixa uma linha com preço e nome do arrematante num livro que a Junta Comercial fiscaliza, e essa linha sobrevive à nota perdida.
Rafael pediu uma certidão do lançamento. Recebeu o documento em quatro dias úteis, assinado pelo leiloeiro, e mandou cópia ao professor, que voltou à mesa e fechou a compra do Gol.
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