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O documento do carro hoje é o CRLV digital (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, o papel que prova que o carro está registrado e em dia). Ele traz placa, chassi, marca, modelo, cor, combustível, ano de fabricação e ano do modelo.
Equipamento de segurança fica fora. Nenhum campo do documento diz se o carro tem airbag ou ABS, e a ficha do leiloeiro, montada a partir do mesmo cadastro, herda a mesma lacuna.
O que a lei manda
A obrigação entrou no Código de Trânsito Brasileiro em 2009, numa lista de equipamentos que todo veículo novo precisa trazer. O inciso que trata das bolsas tem uma linha só:
“equipamento suplementar de retenção, air bag frontal para o condutor e o passageiro do banco dianteiro” (Código de Trânsito Brasileiro, artigo 105, inciso VII, incluído pela Lei 11.910, 2009)
A regra vale para carro novo saído de fábrica. Um Mille 2013 sem bolsa circula legalmente até hoje, passa na vistoria do Detran e pode ser vendido em leilão sem nenhuma pendência.
O lance, então, não esbarra em multa nem em documento. A conta do comprador fica na segurança de quem vai dirigir e no preço de revenda depois.
A armadilha do ano duplo
O documento traz dois anos: o de fabricação e o do modelo. Um carro montado em dezembro de 2013 pode sair como 2013/2014, e a obrigação seguia a data em que o carro deixava a fábrica.
A Volkswagen Kombi é o caso conhecido. A série de despedida, chamada Last Edition, foi montada em 2013 com ano-modelo 2014 e chegou às lojas sem airbag e sem ABS.
Para saber a data real da montagem, o comprador olha a etiqueta de fabricação colada na coluna da porta do motorista, onde vêm o mês e o ano da montagem. Outra saída é levar o número do chassi a uma concessionária da marca, que devolve a lista de equipamentos com que o carro saiu de fábrica.
A conta do Mille de Cláudia
Com o martelo batido, Cláudia somou o custo até a primeira volta do filho:
• Lance do lote 12: R$ 16.200
• Comissão de 5% da leiloeira: R$ 810
• Transferência e vistoria: R$ 620
• Quatro pneus novos: R$ 1.480
• Pastilhas e fluido de freio: R$ 390
O Mille custou R$ 19.500 rodando, R$ 500 abaixo do orçamento e R$ 5.400 abaixo do carro da revenda do bairro.
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