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Um veículo público arrematado percorre um caminho de documento próprio, com peças que não existem em leilão de banco nem de seguradora. Cinco etapas separam o martelo da transferência concluída.
1. Baixe o anexo de avaliação, não apenas o edital. O laudo traz fotos, quilometragem, data da vistoria e a justificativa da classificação. Edital sem anexo de avaliação publicado é motivo de pedido de esclarecimento, e o pedido costuma ser respondido antes do pregão.
2. Confira quem responde pelos débitos anteriores ao leilão. Multas, IPVA e licenciamento atrasados aparecem em cláusula própria, e a redação varia por município. Alguns editais transferem tudo ao arrematante, outros garantem o bem livre até a data da hasta, e a diferença de custo entre as duas redações passa de mil reais em carro antigo.
3. Verifique se o lote tem restrição de destino no documento. Veículo classificado como irrecuperável ou vendido como sucata sai com baixa permanente e não volta a emplacar. Comprar sucata pensando em rodar transforma um lote barato em ferro parado no quintal.
4. Peça a nota de venda e o termo de entrega assinados pelo órgão. A transferência de bem público exige documento emitido pela administração, com número do processo e do empenho. Sem essas peças o cartório de trânsito não abre o procedimento, e o prazo de trinta dias segue correndo.
5. Reserve prazo e custo para retirada dentro da janela do edital. Carro parado há um ano quase nunca sai do pátio por conta própria, e a maioria dos editais cobra diária por atraso na retirada. Guincho, chaveiro, bateria e um jogo de pneus entram na conta antes de o veículo ver a rua.
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Carro de secretaria roda pouco e passa anos sem troca de correia.
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O erro mais caro em frota pública é confundir carro conservado com carro cuidado. Veículo de secretaria roda pouco e é lavado toda semana, e ao mesmo tempo passa anos sem troca de correia, de fluido de freio ou de líquido de arrefecimento, porque a manutenção preventiva depende de empenho orçamentário que nem sempre sai.
O segundo erro é ignorar a origem da secretaria dentro do mesmo edital. Um lote da saúde que carregava ambulância básica e um lote da obras que rodava em cascalho aparecem lado a lado com avaliação parecida, e o desgaste de suspensão, embreagem e câmbio entre os dois não tem qualquer semelhança.
O terceiro erro é acreditar que documento de bem público entra rápido. Entre o pagamento, a emissão do termo, a baixa do patrimônio e a transferência costumam correr semanas, e o veículo fica sem poder circular durante o intervalo inteiro.
Existe um sinal que aparece cedo e avisa a tempo. Se, na visitação, o motor pegar e o líquido de arrefecimento estiver com aspecto de borra marrom no reservatório, ou se o pedal de freio descer até o assoalho na primeira pisada, aquele carro passou o período de guarda sem manutenção nenhuma e o orçamento de retorno à rua já quebrou seu teto de lance. Anote o número do lote, tire a mão da placa e vá para o próximo.
"Você leria o anexo de avaliação antes de dar o lance?"
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