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Um tanque de 30 mil litros arrematado por R$ 74.500 com os 2 certificados vencidos.
O arrematante é Marcos Antônio Ribeiro Lemos, 51 anos, dono de uma transportadora pequena em Paulínia, a 20 quilômetros de Sumaré. Ele roda com dois cavalos mecânicos (o caminhão-trator que puxa o semirreboque) e um tanque próprio, e precisava de um segundo tanque para atender uma base de distribuição da região.
Marcos tinha cotado um semirreboque-tanque usado de 30 mil litros, do mesmo fabricante, numa revenda de Campinas. O preço pedido era R$ 185.000, com CIV e CIPP válidos por mais oito meses.
No edital do pregão, ele achou uma cláusula de duas linhas: os bens seriam vendidos no estado em que se encontravam, e cabia ao arrematante regularizar inspeções e certificações. Edital é o documento do leiloeiro que fixa as regras da venda, e o que está escrito nele vale contra o comprador.
O que a visita mostrou
A leiloeira abriu o pátio para visita dois dias antes do pregão. Marcos foi com o motorista mais antigo da empresa, que dirige tanque há 22 anos.
O motorista subiu na passarela do tanque, abriu a tampa de uma das bocas de visita (as aberturas por onde se inspeciona cada compartimento) e sentiu cheiro de diesel velho. Havia uma lâmina de produto no fundo de dois dos cinco compartimentos.
Embaixo, na longarina, estava a plaqueta de aço com o ensaio hidrostático de agosto de 2024. No para-lama, os adesivos de CIV e CIPP mostravam validade até setembro de 2025.
Com CIV e CIPP vencidos, o tanque arrematado sai do pátio vazio e não leva um litro de produto perigoso até a nova inspeção.
Marcos ligou dali para o organismo de inspeção acreditado de Paulínia onde já renovava o tanque próprio. A atendente explicou que a inspeção só começa com o tanque descontaminado, isto é, lavado e sem os gases do combustível, e com o laudo da lavagem em mãos.
Com o orçamento passado por telefone, ele montou a conta da regularização: guincho até a lavadora, lavagem com laudo, as duas inspeções e a troca das válvulas de fundo, caso reprovassem. O guincho entrou porque o licenciamento do semirreboque estava atrasado, e sem ele o tanque não podia rodar nem vazio.
Somou tudo ao preço da revenda de Campinas e fixou o teto de lance em R$ 78.000. O pregão foi online, numa terça-feira às 10h, e quatro participantes disputaram o lote 12.
O tanque ficou com Marcos por R$ 74.500, R$ 3.500 abaixo do teto que ele tinha escrito no caderno da empresa.
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