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O portão abre um dia só, e o carro fica desligado.
A visitação tem data, endereço e janela escritos no edital. Ela costuma cair em dia útil, entre um e três dias antes do pregão, e a janela mais comum vai das 9h às 16h, com o pátio fechado no horário de almoço.
Parte das leiloeiras pede agendamento pelo site, com nome, documento e o número dos lotes que você quer ver. Sem agendamento, a portaria devolve o visitante no portão.
Dentro da janela, o carro fica destrancado em alguns pátios e depende de um funcionário acompanhar em outros. Vale perguntar no agendamento, porque a resposta muda o que você vê por dentro.
O pátio não deixa ligar o motor, mover o carro nem levar ferramenta. Sem partida, sem manobra, sem macaco e sem chave de roda. A lanterna do celular entra, o pano entra, a ficha impressa entra.
A restrição tem razão prática. Bateria descarregada, combustível velho no tanque e freio travado transformam uma partida de teste em avaria, num bem que ainda pertence ao comitente.
Sem motor ligado, a leitura começa no chão. O pátio lava a lataria antes de fotografar o lote pro anúncio. O chão embaixo do carro ninguém lava.
Mancha velha tem borda seca, poeira por cima e cor de terra batida. Mancha fresca tem borda brilhando, escorre quando você passa o dedo na base do cárter e volta a se formar em dias diferentes.
A cor muda o orçamento. Óleo de motor é escuro e grosso. Óleo de câmbio automático é avermelhado e cheira a queimado. Fluido de freio é claro e come a pintura, e o líquido de arrefecimento é verde ou rosa e seca sem deixar crosta.
O martelo não cobra por vazamento, o edital não desconta por vazamento, e a garagem cobra os dois.
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No pátio, o chão embaixo do carro é a única peça que ninguém lava antes da visitação.
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A segunda leitura é a da peça original que sumiu. Carro que passou por guincho, pátio e oficina perde peça no caminho, e o anúncio não lista o que falta.
A bateria é a mais comum. Marca fora da montadora, etiqueta nova em carro empoeirado e folga no berço contam a história sozinhas. Bateria não é peça cara, e sim indício de que alguém abriu o capô com pressa.
Os aros vêm em seguida. Três de liga e um de aço, ou quatro pneus de marcas diferentes com desenhos distintos, apontam troca por conveniência antes de o carro entrar no pátio.
Airbag disparado deixa marca de remendo. Tampa do painel desalinhada, costura refeita fora do desenho original e parafuso do volante com risco de chave formam o conjunto. Airbag e cinto pretensionador passam de R$ 4.000 em boa parte dos modelos.
Farol de LED trocado por halógeno, catalisador cortado, módulo de som arrancado e bancos sem o forro original entram na mesma lista. Cada peça faltando tem preço de reposição em reais, e o valor entra no teto antes do lance, nunca depois.
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