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Seis movimentos separam o lote de desmobilização visto na visitação do carro transferido em seu nome. Os três primeiros acontecem antes de qualquer lance.
1. Confirme a origem do lote no edital. Procure o vendedor no descritivo: locadora, banco, seguradora ou pessoa física. Lote de desmobilização traz vários veículos do mesmo modelo em sequência, e o próprio agrupamento já denuncia a origem quando o edital não diz.
2. Cruze quilometragem com tempo de emplacamento. Divida os quilômetros pelos meses desde a primeira emplacada. Acima de três mil por mês o carro rodou muito, provavelmente em estrada; abaixo de mil e quinhentos passou tempo parado em filial, o que castiga bateria, borracha e freio.
3. Peça o histórico de revisões pelo chassi na rede autorizada. A concessionária consulta o número e informa datas e serviços registrados. Frota bem gerida devolve uma lista limpa, e a ausência de registro em carro de locadora é o sinal de alerta, não a presença.
4. Concentre a vistoria nos itens de rodízio. Pise na embreagem, olhe a espessura do disco de freio, procure roda raspada, confira se os quatro pneus são da mesma marca e veja a data de fabricação de cada um na lateral. Sequência de pneus diferentes indica troca por preço, não por prazo.
5. Reserve verba para desgaste antes de definir o teto do lance. Some embreagem, suspensão dianteira, jogo de pneus e uma revisão completa fora da garantia. O lance máximo é o preço de mercado menos essa soma, menos comissão do leiloeiro, menos os custos de documento.
6. Faça a transferência dentro do prazo legal. O Código de Trânsito Brasileiro fixa trinta dias para o novo proprietário providenciar a expedição do documento em seu nome, contados da data de aquisição registrada na nota do leilão.
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"No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as providências necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias."
> Lei 9.503, art. 123, parágrafo 1, 1997
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O erro mais caro é tratar pasta de revisão completa como certificado de carro novo. Ela prova que o óleo foi trocado no prazo e prova nada sobre como o carro foi dirigido entre uma troca e outra.
O segundo erro é disputar o primeiro lote do pregão. Em pregão de desmobilização os carros iguais entram em sequência, e o preço tende a ceder do quinto lote em diante, quando o salão já esvaziou o bolso nos primeiros.
O terceiro erro é ignorar a placa e a filial de origem. Carro registrado em outro estado exige vistoria de transferência interestadual, e o custo somado de laudo, decalque e taxa apaga boa parte do desconto que atraiu o lance.
Quem compra bem em desmobilização lê o lote como uma biografia curta e intensa: pouco tempo de vida, muita gente ao volante e uma empresa que cuidou do que dava prejuízo a ela. O resto do cuidado é seu, e começa na planilha.
"Você olharia o histórico de condutores antes de olhar a quilometragem?"
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